Quando a explosão de fogos começa, seu pet age como se fosse o fim do mundo? Aqui, algumas dicas para deixar os peludos mais tranquilos!

Por Dalila Magarian

Fogos de artifícios são mesmo deslumbrantes. Quando colorem os céus, criam um clima mágico e ainda mais festivo nas festas de fim de ano. O problema é que, na maioria das vezes, eles são bonitos de ver, mas desagradáveis de ouvir. Se para os seres humanos o som das bombas e foguetes pode incomodar, imagine para os peludos, donos de ouvidos quatro vezes mais sensíveis. Nesse quesito, tanto faz o tamanho do amigão: grande ou pequeno, basta o primeiro rojão explodir para ele ficar inquieto e sentir medo. Algumas vezes, o pavor é tamanho que chega a provocar fatalidades, como aconteceu há poucos dias na Colômbia, com pitt bull Sultão. Sozinho no apartamento, o animal saltou do 11º andar de um edifício na cidade de Armênia, deixando sua dona inconsolável.
Morador de São Paulo, o grandalhão Hamlet, um Golden retriever de 6 anos, pesa 52kg, mas sente o mesmo pavor dos estrondos que um chihuahua ou bichon frisé. “Já me aconselharam a enfiar tufos de algodão no ouvido dele, mas Hamlet se agita tanto que eles acabam caindo”, conta sua tutora, a escritora Rosangela Petta. “Geralmente, quando sei que vai ter foguetório, já fico abraçada com ele, tentando acalmá-lo. Ainda assim, ele chora. Não tem jeito”, emenda. O mesmo acontece com o labrador Bóris, de 13 anos, da jornalista Patrícia Sousa, também de São Paulo. “Ele fica muito apavorado. Certa vez, chegou a derrubar a minha mesa de trabalho”, comenta.

O golden retriever Hamlet: aterrorizado pelos rojões

Bóris já quebrou a mesa de sua tutora por causa do medo

Que ninguém se engane: cães de raça indeterminada (os famosos vira-latas) também não são amigos da barulheira. A professora Márcia Villaça Andry adotou dois cães, que vivem em um sítio no município de São Roque (SP): Max, de 8 anos, e Bono, de 5. Descobriu que os animais ficam desnorteados nessa época de celebrações. “Quando ouvem os fogos eles raspam a porta, choram e tremem”, conta. “Também tive uma pastora alemã que ficava igualzinho a eles dois. Subia na máquina de lavar roupa, entrava no tanque e pulava no capô dos carros”, recorda.
A assessora de imprensa Cristina Belluco, de Campinas (SP), conta que a dupla Lala e Hum, com DNA da raça rodesiana, ao ouvir os rojões, costumavam invadir o quintal do vizinho e matar galinhas e galos. “Eles quebraram os vidros de uma porta grande que separa o quintal da área de lazer várias vezes. Também rasgaram meus sofás, quebraram quadros e o tampo de vidro da mesa da varanda”, comenta. “Certa vez, quando voltei de uma viagem de réveillon, minha cozinha e área de serviço estavam totalmente alagadas. Devido aos rojões, eles empurraram a máquina de lavar, arrebentando a mangueira, provocando a inundação do local. Precisei substituir os vidros da porta por lâminas de aço e criei uma área protegida para eles”, acrescenta.

Lala (acima) e Hum (abaixo), pularam o muro e atacaram as galinhas do vizinho durante uma queima de fogos

TEM SOLUÇÃO!

Fazer o quê com um barulho desses? Segundo a veterinária Priscila Brabec, de São Paulo, o primeiro passo é tentar criar um ambiente no qual o animal se sinta realmente mais seguro. Se não for possível abafar completamente o som externo, ela sugere lançar mão de aromas que tranquilizem o animal. Um deles está comercialmente à venda com o nome de Adaptil™. Esse difusor libera um odor sintético e análogo ao cheiro materno canino. “Durante a amamentação, as cadelas produzem um odor específico que transmite conforto e segurança aos filhotes. Por isso, esse cheiro auxilia na adaptação dos cães em situações adversas”, explica a especialista. “O difusor deve ser instalado no ambiente onde o cão ficará durante a queima de fogos”, explica.

Difusor de odor específico para acalmar o pet assustado

Outra dica é que os tutores conheçam os esconderijos prediletos de seus peludos e procurem manter esses locais seguros. Em outras palavras, as janelas não devem ficar abertas (especialmente em apartamentos) nem as portas de vidro fechadas (eles podem tentar atravessá-las). Vale a pena tirar do caminho prateleiras, garrafas, vasos e outros objetos de decoração (como porta-retratos), que podem acabar no chão em meio ao “furacão”, se o seu animal for do tipo agitado. Cuidado, também, com muros, grades e portões, que possam ferir o animal durante uma tentativa de fuga. Não se deve, ainda, prender o cão a coleiras passíveis de enforcamento. E se o seu peludo quiser ficar debaixo da cama, ou escondido no banheiro, verifique se há farpas e pregos que possam feri-lo, mas não force uma retirada.
Renato Zanetti, zootecnista e especialista em comportamento animal, de São Paulo, diz que abraçar, fazer carinho ou segurar o amigão no colo só funciona se eles se aproximarem espontaneamente – caso contrário, podem ficar ainda mais nervosos. O profissional sugere disponibilizar petiscos diferentes ou brinquedos recheáveis para distrair a atenção dos pets. “Televisão não muito alta e ventilador ligados também podem ajudar a reduzir a percepção do animal aos fogos”, afirma. Alguns adestradores, por sua vez, sugerem investir em roupas especiais, para serem usadas apenas nessas ocasiões. Um dos modelos mais conhecidos à venda é a “Thundershirt Camisa Calmante”. Feita de algodão e fibra elástica, funciona aplicando uma pressão branda e constante no corpo do cachorro. Segundo o fabricante, testes e pesquisas com mais de 1.000 pessoas que usaram a roupa em seus animais durante eventos que normalmente provocam pânico (como fogos e trovões), demonstraram que mais de 80% dos cães se beneficiaram com o uso. O valor médio da roupinha (disponível para cães de todos os portes), é de R$ 168,00 (www.bitcao.com.br).

Roupa especial pode ajudar a reduzir a ansiedade do pet

Outra alternativa para tutores são os tratamentos de dessensibilização de ruídos, capazes de funcionar a médio e a longo prazos. O método funciona usando diversos sons pré-gravados (existem CDs à venda nas petshops). Deve-se começar com níveis bem baixos e ir aumentando paulatinamente, ao longo dos dias, de acordo com a orientação de um adestrador, que pode sugerir recompensas, como petiscos, para reforçar a associação positiva. Agora, se nenhuma dessas providências der certo, o veterinário deve ser consultado. Em alguns casos, tranquilizantes leves podem reduzir o sofrimento do pet. Mas nada de ministrar essas substâncias por conta própria! A posologia varia de um animal para outro e deve ser respeitada, para a segurança do seu amigão. Nossa Senhora dos Ouvidos Caninos agradece!