O amor é assim: faz a gente querer ficar sempre perto de quem gostamos. Isso vale tanto para humanos como para pets. Quem não sente saudades do peludo quando precisa viajar a trabalho, de férias, ou mesmo passar um fim de semana fora de casa? Afinal, nem sempre é possível levar o amigão, já que transportar animais exige planejamento e organização. Cães e gatos sentem falta de seus tutores igualmente e podem ter reações inesperadas quando se sentem sós. Assim, inevitavelmente, a simples ideia de uma separação pode causar estresse e ansiedade.

Por Dalila Magarian

Joana e Lilu

Joana e a maltês Lilu

A professora Joana Cappi, que vive na Carolina do Norte (EUA), admite sofrer com a ausência de Lilu, sua cadelinha da raça maltês, de 13 anos, quando precisa visitar a família no Brasil, ou as filhas que vivem em outras cidades. “Em casa, estamos sempre juntas. Quando ela não está por perto, sinto muita falta”, afirma. O mesmo acontece com a engenheira carioca Márcia Ferreira, dona de Jolie, uma cadelinha de seis anos, também da raça maltês. “Ela anda atrás de mim o dia inteiro como se fosse uma sombra. Quando viajo, me preocupo se ela está dormindo bem, ou se estão dando alguma bobagem para ela comer”, diz. A jornalista Beatriz Amorim, por sua vez, fica ansiosa quando fica distante de seus três gatos: Nina e Dora, de três anos, e Guigui, de dois. “A primeira viagem que fiz sem levar a Nina, por exemplo, sonhava com ela todas as noites”, revela.
Para evitar a saudade, o jornalista Marcos Maynart, que mora no Rio de Janeiro, costuma carregar sua cadelinha Nina, de 3 anos, para todos os lugares. “Ela vai comigo para o escritório e dorme debaixo dos meus pés”, diz. “Nina adora passear na rua e correr num parque, porque parece uma raposinha. Também vai comigo para a praia”, diz o tutor. Ainda assim, ele já precisou ficar longe de Nina em algumas ocasiões. “Já passamos uma semana separados e senti muita falta”, diz.

Marcos e a chihuahua Nina

A fim de diminuir a preocupação pelo bem-estar de sua pet quando precisa se ausentar, Marcos costuma deixar Nina com um primo ou com sua vizinha. “Ambos têm filhotes da Nina e acaba virando uma reunião de família. O filhote do meu primo se chama Tico e, o da minha vizinha, Kiko. Sei que Nina sente saudades de mim, mas como está perto de suas crias, não sofre. Eles dormem na mesma cama e comem a mesma comida. Também deixo uma camiseta com meu cheiro para ela dormir junto”, comenta. Joana, por sua vez, costuma deixar Lilu com uma cuidadora. “A Sue tem outros cães que fazem companhia para Lilu. Ela tira fotos e me envia todos os dias. Levo para a casa dela os brinquedos favoritos e a caminha da Lilu, pois sei que ela gosta de ter suas coisas por perto”, conta.

A aposentada Annamaria Lattes, que mora em Porto Alegre, também deixa sua yorkshire de três anos em local de confiança. “A minha melhor amiga e fiel escudeira Minnie fica no apartamento do Eduardo e da Juliana, meu filho e minha nora. Eduardo sai todos os dias para passear com a Minnie e me envia fotos. Quando tenho de sair aqui mesmo em Porto Alegre por algumas horas, deixo a TV ligada, a luz da cozinha acesa e água e comida frescas. Às vezes, peço à minha vizinha para dar uma olhadinha nela, por precaução. Mesmo assim, fico impaciente para retornar.”

Bia e seus gatos Dora, Nina e Guigui, o caçula da família

 

Annamaria e sua “fiel escudeira”, a yorkie Minnie

A tecnologia acaba sendo aliada a fim de aplacar as saudades dos donos. Tanto Beatriz quanto Annamaria, por exemplo, fazem chamadas de vídeo para verem seus bichinhos se movimentarem ao vivo. Marcos também costuma usar o celular para que Nina ouça a sua voz. “Ela levanta as orelhinhas, acho que entende o que estou falando”, diz. Annamaria comenta que virou assinante do canal DogTV, da Discovery, que possui programação estruturada para entreter e acalmar os cães e disponibilizado pela operadora Sky em sistema à la carte. A grade do canal é composta de três tipos de programas: relaxantes (com imagens e trilhas sonoras que visam acalmar os animais), estimulantes (cenas de cães brincando e imagens de ação para fazer ativar os impulsos musculares e cerebrais) e exposição (cenas cotidianas dos animais, como passeios de carro e até mesmo ida ao veterinário, com a proposta de habituar os cães à rotina).

 

Marly Ikeda e Flor, sua companheira de todas as horas

Por sua vez, a assessora de imprensa Marly Ikeda, de São Paulo, dona da shih-tzu de nome Flor, de nove anos, descobriu que a melhor maneira de não sofrer tanto com a ansiedade é estabelecer uma rotina bem definida para sua pet. “Costumo deixar a Flor com pessoas que ela conhece bem e já sabem como é o jeitinho da baixinha e suas manias”, explica. “Flor entende quando digo que a mamãe vai trabalhar para comprar as coisinhas dela. Deixo biscoitinhos, cobertor, comida… Assim, ela sabe que pensei nela nesta hora da separação.” Apesar de todos os cuidados, sentir saudades parece inevitável, mas é possível evitar o sofrimento. “Quem tem um pet sabe que o dia a dia é preenchido pela presença dele. Sinto falta, sim, quando estou longe da Flor, mas estabelecemos nossos códigos e nos entendemos muito bem. E a melhor parte fica para o reencontro, com muitos beijinhos, latidos, rabinhos abanando.” Nada como um final feliz!

 

Ter alguém de confiança para ficar com seu animalzinho é fundamental, como você leu nesta reportagem. Por isso, sempre que precisar, chame Petiest!